Como costumo
dizer aqui, o RPG bem aplicado pode funcionar como uma excelente ferramenta
para que pais e filhos passem mais tempo verdadeiramente juntos, todos
envolvidos em uma atividade familiar saudável e divertida. Como toda
brincadeira feita com crianças, é interessante quando ela pode ensinar algo aos
pequenos, algo que os ajudará a crescer melhor e se tornarem pessoas melhores.
Neste sentido, o RPG bem utilizado também é uma ferramenta de valor
inestimável, trabalhando valores como trabalho em equipe, altruísmo,
organização, planejamento e a sagrada relação entre ação e consequência.
Um outro ponto importante de diversão e aprendizado é a classe de personagem escolhida, e nessa série de pergaminhos tratarei, de forma clara e objetiva, como cada uma das classes básicas de RPG funcionam nesses dois âmbitos. Comecemos com a mais “comum”, o Guerreiro.
Em um grupo, o
guerreiro é aquele responsável por assumir a linha de frente, enfrentar os
inimigos mais poderosos diretamente, proteger seus companheiros e, não raro, se
colocar diante do perigo para que outros não precisem fazê-lo. Como mestres do
jogo, podemos ensinar por meio do guerreiro valiosas lições de vida a nossos
pequenos que se aventuram ao lado ou como um deles.
1) Disciplina: O
verdadeiro guerreiro é disciplinado como um soldado, pois sabe que em uma
situação difícil, disciplina é fundamental quando pretendemos atingir um
objetivo. Para prevalecermos, é preciso ter foco (saber onde desejamos chegar)
e planejamento (determinar os meios pelos quais podemos chegar a nosso
objetivo).
2) Altruísmo: O
guerreiro é aquele que se lança diretamente no perigo não por impulsividade,
mas para que mal algum atinja seus companheiros que estão atrás. Há um ditado
antigo que diz que “homens da espada precisam ter algo para proteger”. Essa ideia
pode ser muito bem explorada com crianças, mostrando, por exemplo, que o
personagem guerreiro é a única barreira entre uma tribo de goblins que deseja
roubar toda a colheita de uma família de halflings que trabalhou muito duro por
aquele alimento.
3) Esforço: Para
aprender o que sabe, para ser forte, rápido e técnico, o guerreiro precisou
treinar, e muito. Essa ideia, a de que precisamos nos esforçar para obter algo
valioso, para nos tornarmos melhores, é algo inestimável, especialmente nos
dias de hoje, em que muitos tentam corromper os mais jovens com promessas de
ganhos fáceis.
4) Cair e
Levantar (resiliência): Por mais forte que o guerreiro seja, ele eventualmente
enfrentará algo maior do que ele próprio, e não conseguirá cumprir com seu
objetivo. Neste momento, ele precisará se recompor, pensar no que poderia ter
feito diferente e tentar de novo. Quantas vezes sejam necessárias. Em um mundo
que se esforça absurdamente para criar uma geração de vítimas que desmoronam
emocionalmente a cada problema que enfrentam, esta talvez seja a mais preciosa
lição que o guerreiro pode ensinar a nossos pequenos.

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