Saudações, guerreiros da Luz
Como costumo comentar aqui, o RPG, quando bem e devidamente utilizado, é uma ferramenta excelente para ajudar pais e filhos a passarem mais tempo juntos. Nas crianças, o RPG ajuda a desenvolver valores morais, senso de prioridade, planejamento, trabalho em equipe, o valor da amizade e a lidar com frustrações e contratempos. Mas apesar de todas essas coisas serem lições de vida valiosas que todas as crianças (e também adultos) devem aprender, o principal aqui é que pais e filhos passem mais tempo junto. E neste contexto, voltamos à premissa de que é o adulto quem brinca com a criança, e não o contrário.
Recentemente, li
um pergaminho muito interessante escrito pelo jogador veterano conhecido como
The Seeker, narrando como, de forma espontânea, ele começou uma espécie de jogo
de RPG com a filha pequena apenas acompanhando o raciocínio da jovem garota
enquanto criava aventuras baseadas na ambientação de um de seus livros favoritos.
Compartilho abaixo a história, e àqueles que desejem ler no original, recomendo
que entrem nesse PORTAL.
“Ao
longo das férias, minha filha pequena e eu demos início a um experimento
intrigante. Ela encanta-se com a obra de Beatrix Potter e não deixou de notar
que em As Aventuras de Pedro Coelho (Ed. Companhia das
Letrinhas) há um "mapa do mundo" em que se passam as histórias deste
e vários outros personagens.
Certa tarde, ela teve a ideia de "passear"
por esse mundo. Indagada sobre o ponto de partida, ela apontou para uma casa em
que estavam a Srta. Moppet e seus filhos travessos, com os quais puxou
assunto, narrando brincadeiras com os bichanos. De lá, seguiu por estradas,
colinas, prados, pontes e ruas, sempre conversando com algum bicho que ali
estivesse.
Após vários minutos paramos, para recomeçar outro dia.
Cada "passeio" levava o tempo aproximado de um conto curto, e as
interações foram se aprimorando. Por vezes um personagem pedia um pequeno
favor, ou tinha algum problema que minha filha se dispunha de imediato a
resolver.
Em um determinado momento, ela quis sair da estrada e
adentrar a mata fechada ao norte da Colina do Touro, passando perto da casa de
inverno do Sr. Raposão; o larápio se ofereceu para guiá-la mas, já conhecedora
de suas artimanhas, nossa protagonista recusou a proposta.
Como estava sem lanterna, ela se perdeu na floresta,
porém uma coruja apareceu e propôs mostrar o caminho para a saída em troca de
algo que achasse interessante. Minha filha pensou um pouco e foi correndo para
o quarto pegar um livro para dar de presente. (Afinal, o que mais poderia
entreter a sábia coruja?)
A última aventura envolveu uma incursão pela horta
cheia de perigos do Sr. Severino, para tirar Pedro Coelho de mais uma
enrascada. Quando saíam de lá, dois cachorros partiram no seu encalço. Minha
filha disse que tinha um osso com ela e o jogou aos cães para distraí-los.
Nesse momento, resolvi acrescentar um elemento ao
nosso jogo: mostrei a ela um dado (ela já conta os pontos de cada face) e disse
que, se saísse 1, algo péssimo aconteceria -- os cachorros continuariam atrás
deles e ainda mais bravos, ignorando o osso; mas, com um 6, não só iriam atrás
do osso, como também ficariam amigos dela!
Ela rolou o dado e me olhou, empolgada e curiosa,
quando saiu 4. Disse que os cães foram atrás do osso e não voltaram -- o
caminho estava livre! De volta à toca de Pedro, sãos e salvos, jantaram
framboesas com pão e leite e dormiram tranquilamente.
Nada mal para um "protojogo" de aventura”.
Em minha
opinião, esta é a melhor forma de se começar uma aventura; partindo da própria
criança, dentro de algo que a interesse. Essa experiência mostra que para
termos uma boa aventura, especialmente com nossos pequenos, não é necessário um
sistema complexo, planilhas detalhadas, miniaturas ou qualquer coisa do gênero.
Basta imaginação, um cenário considerado interessante às crianças envolvidas e
a presença/orientação de um dos pais.

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